Clássico do Cinema: A Vida é Bela – La Vita è Bella

“A Vida É Bela” (no original, “La vita è bella”) é um filme italiano de 1997, do género comédia dramática, dirigido e protagonizado por Roberto Benigni. O filme foi produzido pelo estúdio Melampo Cinematográfica, com música de Nicola Piovani, a direcção de fotografia de Torino Delli Colli; o desenho de produção, direcção de arte e o figurino de Danilo Donati; e a edição de Simona Paggi. No filme pode-se ouvir também a bela música Les contes d’Hoffmann. A história remonta aos duros tempos da Europa da Segunda Guerra Mundial, onde o nosso protagonista Guido, um homem inocente, terá que utilizar a sua imaginação e força de vontade para salvar as vidas daqueles que ama.

A Vida é Bela - La Vita è Bella

Sinopse:

Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, Guido, filho de judeus, é mandado para um campo de concentração, juntamente com seu filho, o pequeno Giusoé. Guido é um homem simples, inteligente e espirituoso, um pai amoroso, e graças a isso consegue fazer com que seu filho acredite que ambos estão participando de um jogo, sem que o menino perceba o horror no qual estão inseridos.

Uma fábula tragi-cómica, o filme mais popular de Roberto Benigni, vencedor, entre muitos outros prémios internacionais, do Óscar para o melhor filme estrangeiro e melhor actor para Benigni. É uma deliciosa fábula, e um hino à vida dos duros tempos da Europa da Segunda Guerra Mundial, onde o nosso protagonista Guido, um homem inocente, terá que utilizar a sua imaginação e força de vontade para salvar as vidas daqueles que ama.

Romântico, hilariante, surpreendente e comovedor, este filme é um dos mais belos momentos de cinema!

Trailer:

Crítica:

Uma das trágicas comédias mais bem conseguidas. Um filme indubitavelmente tocante, comovente e no entanto bastante cómico.

Benigni consegue misturar o drama com o humor físico e inteligente ao mesmo tempo que prova que a vida é bela relatando um dos mais frios períodos da história.

Todos os passos do filme estão bem conjugados e acaba por se revelar uma boa surpresa.

Um filme bem disposto, tão bem disposto que nos comove. Um filme que dá gosto em ver.

Como no inicio explica, uma filme retrata uma fábula. E para isso teremos que meter os preconceitos de lado, de modo a analisarmos o filme correctamente.

Não podemos dar demasiada atenção aos erros e aos acontecimentos pouco prováveis, porque o filme necessita deles para prosseguir e para se tornar numa fábula.

O filme começa por nos apresentar uma das mais afáveis personagens do cinema: Guido. Guido é o tipo de homem que se encontra bem com a vida, não condena nada, e em todo vê beleza. Um homem com um apurado sentido de humor e que é impossível de não gostar. Tudo parece correr bem a Guido pois ele simplesmente não demonstra que a vida lhe corre mal, devido ao seu bem conseguido espírito alegre, interpretado com mestria pelo próprio director do filme Robert Benigni.

Até ao dia em que conhece a sua “Princesa”. Guido começa a fazer tudo para a conquistar, levando-nos a observar uma sequência inicial bastante cómica, bem conseguida, honesta, bem montada, e acima de tudo, simples.

Ao mesmo tempo vamos começar a ter uma percepção da ascensão do etnocentrismo, o que irá conduzir aos terríveis campos de concentração.

Após todos os pormenores encaixarem uns nos outros e de nos deixar bem temperados, o filme conduz-nos a um Guido casado, feliz e com uma jovem criança. Aqui começa talvez um período, em que Benigni tenta de um certo modo conciliar um pouco do neo-realismo italiano com o seu estilo. Acompanhado sempre pela sua criança, Guido é levado para um campo de concentração.

E como eu digo para meterem de lado os acontecimentos pouco prováveis devido a este filme ser uma fábula, eis que acontece um, a mulher de Guido para não deixar o marido, num acto de amor, decide ir também para o campo de concentração.

A história prossegue e comove-nos pela maneira como Guido tenta ser sucedido em explicar ao seu pequeno filho de que aquilo não passa tudo de um jogo. Iludindo-o assim, o esforço que ele faz para o iludir, é benemérito e cativante, iludindo-nos deste modo a quem vê o filme.

Aligeirando toda a situação com um pouco de humor, o filme consegue conjugar na perfeição uma das mais extremas contradições. O ódio humano levado pelo bom humor, não nos chocando, e mostrando que apesar de tudo, as pessoas são boas, são solidárias, e que temos que chegar à conclusão que a vida é bela.

E como podemos perceber que a vida é bela com um filme cujo final é tão trágico? Através da sua personagem principal, que nos demonstra como a vida é bela, devido ao seu optimismo, ou então de como nos ilude, de como nos engana, e apesar de no fundo estar triste e desorientado, tenta sempre transparecer que tem tudo controlado, que não há problema.

Afinal de contas o final acaba por não ser tão dramático, ou seja, não é mais do que aquilo que é necessário. Será que se Guido tivesse sobrevivido, o impacte do Holocausto neste filme seria tão grande? Não ficaríamos com uma noção mais ligeira do holocausto? Provavelmente o filme acabava por dar uma ideia errada, assim com a morte do nosso herói, percebemos o terror do holocausto sem precisarmos de conhecer os factos ao seu profundo pormenor. Deste modo o filme consegue ser conduzido ao ritmo do humor e comovendo-nos e chocando-nos ao mesmo tempo. O final acaba, por conjugar também a felicidade, porque apesar de tudo, Guido acaba por ser bem sucedido, em iludir o filho, protegendo-o deste modo não só da violência que o envolvia, mas também protegendo-o da morte.

Um grande filme, com aspectos visuais interessantes e uma boa banda sonora, que nos consegue traduzir a conjugação que o filme faz tão bem da tristeza e da alegria. As interpretações, a montagem, a cinematografia, o argumento, e a realização estão muito bem conseguidos. Pegando assim nesta fábula original de modo a não decepcionar, e a tornar assim “La Vitta é Bella” num clássico.

Realizador: Roberto Benigni

Argumento: Vincenzo Cerami, Roberto Benigni

Intérpretes: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giustino Durano, Giorgio Cantarini, Sergio Bini Bustric, Marisa Paredes, Horst Buchholz

Estreia Mundial: 1997

Estreia em Portugal: 1997

Mais Info: IMDB

Disponível em DVD: SIM

Site Oficial: clique aqui

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