“Os Condenados de Shawshank” é hoje considerado, por grande parte dos que o viram, como um dos melhores filmes de todos os tempos. Não deixa de ser curioso, já que, apesar das boas críticas pela altura do lançamento (1994) e as sete nomeações aos Óscares, Shawshank teve uma recepção fraquíssima que nem conseguiu cobrir os gastos do filme.
Sinopse:
Tim Robbins e Morgan Freeman formam em “Os Condenados de Shawshank” uma dupla de peso numa prisão de alta segurança que reúne os maiores delinquentes dos Estados Unidos.
Tim Robbins, um inocente por homicídio, era aparentemente o “parvo” que estaria sujeito a todas as investidas dos principais grupos de presos. Mas com algumas técnicas e com muita preseverança ele vai conseguir um lugar importante na escala hierárquica dos presos e da própria prisão.
Entre silêncios e sussurros, gritos e situações de horror a vivência desta comunidade de presos é traçada em “Os Condenados de Shawshank” de uma forma sensível e com alguns toques de humor transformando este filme numa grande obra cinematográfica do ano.
Trailer:
Crítica:
Mas, como conseguirá assim um filme na sua época tão desconhecido e menosprezado, ser hoje, 15 anos depois, um dos maiores fenómenos cinematográficos já vistos?
Descobertas acidentais numa ida casual ao clube de vídeo? Um visionamento contrariado por um professor que nos impõe ver os por si chamados “bons filmes”? Um zapping inconsequente e aborrecido?
Talvez nunca saibamos realmente a resposta para “Como aconteceu?”, no entanto, basta abrir os olhos e assistir a “Os Condenados de Shawshank” para compreender o “Porquê”.
Andy Dufresne é um jovem banqueiro de sucesso que vê a sua vida de pernas para o ar quando é enviado para a prisão de Shawshank, com a pena de duas prisões perpétuas pelo assassinato da esposa e do seu amante. Isolamento e solidão marcam os primeiros tempos no imponente mas assustador edifício. Durante anos e anos de aspereza, luta, vergonha e humilhações, Andy torna-se um prisioneiro muito pouco convencional; símbolo de Shawshank, desenvolve uma amizade muito especial com outro preso, Red, o homem que consegue arranjar tudo a toda a gente. Mas nas quase duas décadas que Andy passa no desespero silencioso da prisão, há algo que nunca por um só momento o abandona, a esperança. Guiado pelos poderosos espírito e determinação, Andy deixa-nos entrar consigo para um mundo que vale a pena ser salvo, um mundo cheio de paz e desejo.
Existem variadas concepções acerca do que realmente é e/ou trata “Os Condenados de Shawshank”. Inicialmente, quando ainda relativamente desconhecido, era tido como um filme sobre a vida na prisão ou sobre a justiça. Depois, um filme sobre o salvamento da alma. A seguir um filme sobre a esperança… e por aí fora. A verdade é que Shawshank é tudo isso, mas não somente. Penso que, acima de todas as coisas, é um filme sobre o que de maior existe em cada um de nós, e isso não é de todo definível por palavras.
Tem as suas faltas e falhas… em várias situações deparamo-nos com situações cliché, em oposição a outras extremamente exageradas ou até surreais numa perspectiva racional e real. É inegável. No entanto, no momento em que passam os créditos… alguém recorda isso? É sequer justo fazê-lo? É tudo tão maior e imponente que é impossível recordar grandes falhas.
Além da mensagem, a forma como esta é passada é outra das grandes chaves da fita. Frank Darabont fez algo raro; foi paciente; paciente na forma como conduziu e desenvolveu a linha argumentativa conseguindo não só reproduzir na perfeição a pesada passagem do tempo, mas também construir calma e minuciosamente um monumental puzzle que, depois de colocada a última peça, se metamorfiza num poderoso grito de liberdade e salvação inesquecível aos olhos e à mente. A fotografia marcada pelos cinzentos e cores escuras e a música discreta mas afinadíssima ao tema tornam o que já era portentoso em algo monstruosamente belo.
Quanto às interpretações, guardar-me- ei a comentários inexpressivos acerca da qualidade de Tim Robbins e Morgan Freeman; absolutamente soberbos.
“Os Condenados de Shawshank” não é um filme perfeito, sem falhas; até porque a perfeição é não mais que um escape criado pelo Homem e que nunca existiu verdadeiramente.
Mas Shawshank consegue fazer algo que raras obras de arte conseguem. Faz-nos acreditar que, de facto, a redenção é possível, que o salvamento é possível, e que, por aí algures, um futuro melhor que este presente precário nos espera. É um autêntico testamento ao espírito humano.
Cada vez mais vemos filmes tentarem ser fontes de inspiração e passarem mensagens fortes e valerosas. Shawshank não teve nenhuma ambição desmedida, e fê-lo como nenhum outro. Isto porque mexe com alguma coisa cá dentro, uma necessidade que nos acompanha toda a vida; uma necessidade de viver com esperança e de saber que, por aí algures, existe alguém que nos pode fazer acreditar que é possível.
Shawshank Redemption é sinónimo de esperança inabalável, e enquanto houver esperança haverá sempre uma razão para nos levantarmos após uma queda, seja de que altura for, olhar em frente, limpar o suor da testa, e recomeçar o caminho para a paz e felicidade… o caminho para a redenção.
Fonte: Close-Up
Pictures:
Prémios:
- Recebeu sete nomeações aos Óscares: Melhor Filme, Melhor Actor (Morgan Freeman), Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Música Sonora Original e Melhor Som.
- Recebeu duas nomeações ao Globo de Ouro: Melhor Actor – Drama (Morgan Freeman) e Melhor Direcção.
Curiosidades:
- The Internet Movie Database elegeu este como o melhor filme da história com a nota 9.2/10;
- No conto de Stephen King no qual “Os Condenados de Shawshank” foi baseado, o personagem Ellis Boyd Redding era irlandês. Este detalhe foi retirado do filme após a contratação de Morgan Freeman para interpretar o personagem;
- Boa parte da acção de “Os Condenados de Shawshank” foi filmada na Penitenciária Estadual de Mansfield, em Ohio, que estava desactivada na época das filmagens. Como a penitenciária estava em péssimas condições, foi necessário que se fizesse uma pequena reforma que deixasse o local em condições para que se pudesse rodar um filme.
Realizador: Frank Darabont
Argumento: Stephen King, Frank Darabont
Intérpretes: Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton, Bill Sadler, Clancy Brown
Estreia Mundial: 1994
Mais Info: IMDB
Disponível em DVD: SIM









(média de votação:9,00)




















Grande filme. Uma excelente adaptação do livro de Stephen King por Frank Darabont, onde o impossível torna-se real e o imprevisto acontece.
Este filme, está rodeado de momentos espectaculares, que nunca nos fazem “descolar” do ecran.
Um momento que tem de ser referido, é quando o Timm Robbins põe a tocar uma música que, naquele momento, metaforicamente falando, colocou todos os prisioneiros para lá dos limites da prisão e soltos que nem uns “passarinhos”. Depois disto, Timm foi para a solitário e nunca se mostrou arrependido, bem pelo contrário, voltaria a fazê-lo vezes sem conta. Este acontecimento, é um dos muitos que nos fazem pensar que este filme é o melhor até agora feito.
5*****
O melhor filme da história do cinema, perfeito, uma história tocante e arrepiante, está no topo das minhas preferências, sem dúvida alguma.
A prova viva de que vale a pena ter esperança, vale a pena ter paciência, toca-nos na alma a forma determinada como Andy encara a vida com coragem na pisão, passando pelo pior, sem nunca se subestimar, elaborando um plano minucioso que o transporta para o seu “Oceano Pacífico” com o objectivo humilde de reformar um barco de pesca e abrir o seu hotelzinho à beira da praia!
Não há palavras para descrever esta obra admirável…
Sem dúvida um dos melhores… a recordar de x em x anos…