Les hommes libres

O filme “Les hommes libres” de Ismael Ferroukhi conta a história dos muçulmanos de França que salvaram judeus durante a Segunda Guerra Mundial. A ação desenrola-se em Paris. Um jovem argelino sobrevive à conta do mercado negro. Apanhado pela polícia, passa a espiar uma mesquista suspeita de salvar judeus e elementos da resistência.

Les hommes libres

Sinopse:

A ação desenrola-se em Paris. Um jovem argelino sobrevive à conta do mercado negro. Apanhado pela polícia, passa a espiar uma mesquista suspeita de salvar judeus e elementos da resistência.

Trailer:

Crítica:

Como são estranhos estes filmes políticos em que não se vê a política acontecer, filmes históricos em que os fatos são contados mas nunca vistos…

O projeto deste longa francês gerou as maiores expectativas dentro do circuito nacional. O realizador Ismael Ferroukhi decidiu unir os atores principais dos dois filmes franceses mais famosos e prestigiados pela crítica, Tahar Rahim (de Um Profeta) e Michael Londasle (de Homens e Deuses). Ambos os filmes receberam indicações ao Oscar, vários prêmios César para o filme, os atores e os diretores, além de conseguirem a façanha de agradar tanto à crítica quanto ao público.

Os dois atores foram escalados para interpretar novamente os papéis principais de uma parte da História bastante polêmica e ainda presente na mente dos franceses: a colaboração dos imigrantes magrebinos na Segunda Guerra Mundial. Armado de atores conhecidos, tema de interesse nacional e grande publicidade, esses “Homens Livres” em tradução literal tinham tudo para estourar as bilheterias do país. E no entanto, foi um fracasso retumbante de crítica e de público.

Vários fatores poderiam explicar o baixíssimo número de espectadores da obra (menos de 200 mil espectadores contra 1,3 milhões de Um Profeta e 3,1 milhões de Homens e Deuses), dentre eles a tal crise econômica e a baixa no poder aquisitivo do público, o clima inesperadamente quente e agradável para esta época do ano, que retirou muitas pessoas das salas escuras, ou ainda a concorrência com grandes lançamentos nacionais e estrangeiros. Mas seria legítimo pensar que certa parte desta responsabilidade (não se sabe qual) cabe de fato ao próprio filme, e às escolhas no mínimo curiosas que ele faz para retratar um episódio político.

A primeira delas foi a de retirar o contexto da narração. Não se explica o momento histórico, o espectador é diretamente lançado na trama. Os personagens, igualmente, são mostrados em plena ação, como se já fossem conhecidos pelo público. Esse procedimento, importante em filmes de ação como Gomorra, tem dificuldades em criar ritmo neste caso, afinal, a maioria da ação se passa nas conversas, nos supostos subentendidos, nas esperas.

O que leva à segunda escolha: não se vê a ação política em imagens. Um homem grita, dentro de um cabaré: “Corra, os homens estão lá fora, todos estão morrendo”, o protagonista responde “Droga, se revistarem minha casa encontrarão todos os meus produtos ilegais” e assim por diante. A política é contada, narrada, evocada, mas ela não é representada nas telas. Isto se deve sem dúvida ao orçamento reduzido que não teria permitido longas cenas de batalha ou grandes reconstituições históricas.

Assim, o roteiro lança uma possível história de amor, que nunca se concretiza; um personagem tem desejos homossexuais mas o vemos saindo de um quarto com outro homem, abotoando sua camisa. A política existe, a ação também, mas em algum lugar fora do alcance do espectador – frequentemente no cômodo logo ao lado.

Para completar, os tais atores famosos e apreciados são dirigidos de maneira a se parecerem exatamente aos personagens que os consagraram. Rahim, magrebino de aparência frágil, interpreta um resistente semelhante ao prisioneiro de Um Profeta. Londasle, religioso de bom coração em Homens e Deuses, retoma as roupas da religião e as palavras caridosas. Além de uma certa aparência de oportunismo, esta escolha se torna complicada quando a narrativa exige do primeiro que ele se torne um homem de ação e de confiança, espécie de Bruce Willis árabe, que tira criancinha de prédio em ruínas, e que o segundo carregue em seu papel uma ambiguidade política. Ou seja, as mesmas aparências foram forçadas em personagens que não correspondiam a tais embalagens.

Por fim, estes homens livres não são nada mais do que indivíduos quaisquer, de certo modo anônimos, pegos à título exemplar. Esta é a história de tal homem de origem argelina, mas poderia ser qualquer outro. A mulher sedutora corresponde simplesmente à história de amor quase obrigatória em qualquer filme popular, o homem religioso serve de figura paterna a controlar os instintos carnais e juvenis do protagonista. Ela interpreta “a mulher”, o outro é “o pai”, um terceiro é “o inimigo”. Todos são exemplos, modelos – portanto substituíveis. Quando se retira a ação do filme de ação, e a particularidade de um momento específico da História, sobra de fato muito pouco a apreciar.

Fonte: Discurso-Imagem

Realizador: Ismaël Ferroukhi

Argumento: Alain-Michel Blanc, Ismaël Ferroukhi

Intérpretes: Tahar Rahim, Michael Lonsdale, Mahmud Shalaby, Lubna Azabal, Christopher Buchholz, Farid Larbi, Stéphane Rideau, Bruno Fleury, François Delaive

Estreia Mundial: 2011

Estreia em Portugal: sem data prevista

Mais Info: IMDB

Site Oficial: clique aqui

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